Votos, fé e santidade

       Diante do crescimento evangélico na representação parlamentar, notadamente das igrejas do pentecostalismo histórico (Assembléia de Deus) em relação às igrejas neopentecostais (IURD), muitas pessoas podem se perguntar se há um repto ao Estado Laico ou um rapto do Estado Laico.
        Por enquanto é isto, algumas notas e, assim, apontar o caminho pelo qual farei algumas reflexões numa futura, mas breve atualização deste post. Primeira: o que se pode deduzir dos números relativos a presença dos evangélicos na política? Ou, em outra chave, como fazer dialogar a ciência política e a filosofia política na análise dessa presença evangelical? Segunda: em diversos sentidos, a bancada evangélica não é homogênea (origem, comportamento e denominação). Apesar de o crescimento das igrejas pentecostais históricas ser correlacionado a forte emergência de temas relativos à moralidade mais estrita (usarei uma categoria mais ampla, mas não menos compreensiva: santidade), o grupo neopentecostal da bancada evangélica pode destoar de determinadas ênfases moralistas reacionárias. Vou dar um exemplo: o vídeo com o trecho de uma palestra em que o Bispo Edir Macedo, líder da IURD, defende o "aborto planejado" (Conferir: http://www.youtube.com/watch?v=X5-zpSZgGeg). Observe-se que a IURD tem grande proximidade, e alianças tácitas, com os governos trabalhistas (Lula e Dilma). Terceira: o crescimento da bancada evangélica pode ser lido de várias formas: sociológicas ou antropológicas. Quarta: o tipo de representação evangélica e sua relação com os fiéis, bem como a atuação nas câmaras legislativas e o Estado Laico. E, por fim, a quinta:  em que sentido temos um complexo jogo contingencial entre os contextos históricos-culturais específicos da presença evangélica na política e os roteiros cosmológicos cristãos traçados historicamente? Ou seja, em que sentido a cosmologia e o modo de ser do Cristianismo (o singular) estão relacionados ao modo de ser/fazer/viver atuais dos evangélicos na política (o plural)? E, desdobrando essa questão, quais relações (tensão, aliança, complementaridade, passagem, ruptura) entre as duas ordens de narrativa, a do sagrado e a da política?
 
P.S. Este post é resultado de um frutífero diálogo com o prof. Lucelmo (http://observadordareligiosidade.blogspot.com.br em 07/01/0213). 
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