Deus e o Diabo na Terra do Sol e a luta do (In)Feliciano contra "Bestas-Feras"

 
 
           Começo  remetendo ao cineasta Glauber Rocha, celebrado, mas também odiado.
           Lançado em 1964, ano do Golpe Militar, o filme "Deus e o Diabo na Terra do Sol" é muito interessante, mas volto a ele mais adiante. Desde a última postagem sobre as declarações de Malafaia e a renúncia de Bento XVI, muitas águas rolaram. Mais um pastor sobe ao palco da polêmica: Marco Feliciano. A presença de lideranças evangélicas no espaço público torna-se um fenômeno constante, a exigir interpretações das ciências sociais e das ciências da religião. E os católicos admiraram a eleição de um novo Papa, Francisco. As diferenças discursivas entre o líder católico e o evangélico são evidentes e marcam contornos que preocupam alguns e alegram a outros. Um fala em poder como serviço, multiplica gestos, alguns mais próximos da tradição franscicana, outros mais próximos da instituição. beija Aos olhos dos católicos ultra-conservadores que preferem uma "Igreja-Poder-Castelo" em luta contra um mundo desalmado e mentiroso, Francisco exagera.
          O Papa, na voz desses grupos, não os representa. A verdade não está nele, mas na Tradição que foi rompida com e pelo Concílio Vaticano II. Entre a verdade da tradição e o Papa, ficam com a verdade da tradição, uma verdade-dogma. O outro líder fala em poder como representação "divina", ligado a determinados valores de um grupo social religioso, um poder cujo mandato é apresentado como divino. Dessa forma, religião e espaços sociais permanecem no centro de fenômenos, debates e discussões contemporâneos. Assim, observe-se que o crescimento dos evangélicos pentecostais se fez sentir de forma aguda no caso (In)Feliciano.
          A presença constante dos evangélicos na política (desde a constituinte de 1986), coloca novas questões para o espaço público e o espaço político. Mas essa presença não pode ser lida sem algumas considerações sociológicas, em especial, sobre o avanço da modernidade e seu modo de vida na cultura e na sociedade brasileiras. Modernidade tomada em sentido sociológico: liberalização dos costumes, abertura econômica e social, multiplicação dos atores sociais na disputa dos espaços de poder, empoderamento de segmentos marginalizados socialmente, avanço dos direitos sociais e fundamentais de minorias (grupos alijados de representação, capital simbólico e social), consolidação de uma estrutura democrático-liberal e do Estado de Direito. Isso não significa que as agendas do atraso social desapareceram. Pelo contrário, são ainda mais evidentes: concentração de terra, estrutura estatal deficitária em muitos setores (justiça, educação, etc).
         Contudo, dois exemplos ilustram as tensões geradas nesse processo da entrada da modernidade no Brasil (ou da entrada do Brasil na modernidade): resistência dos setores religiosos, em especial o evangélico pentecostal, ao avanço dos direitos de minorias (por exemplo, reconhecimento, por parte do Estado, de que as relações afetivas entre pessoas do mesmo sexo podem gerar vínculos duráveis e portanto ao abrigo de direitos civis e sociais já conquistados por outros grupos) e a resistência de alguns setores da sociedade aos direitos dos trabalhadores domésticos, as classes médias conservadoras. Nostalgica descendência da Casa Grande: a empregada negra, que dorme na casa dos patrões, estando a bel-prazer destes. Uma empregada que tornou-se evangélica e frequenta pequenas igrejas nas periferias da cidade grande. Enfim, uma relação patrimonial-patriarcalista que encontra-se em extinção. Será que o Brasil entra "manco" na modernidade? Ou seria a modernidade que, ao pisar os pés no Brasil, manca? Provocando: pode ser que o um certo "Brasil" e uma certa "Modernidade" sejam representações muitas vezes reificadas e naturalizadas, ou seja, "mancas" e por isso não nos ajudam a pensar a história e a sociedade contemporâneas. Evoco o título de um livro do sociólogo José de Souza Martins: O poder do atraso. No contexto do livro, é a combinação (conflito também) entre o moderno e o tradicional que marca nossa história, tornado-a lenta em seu processo de desenvolvimento.
          O arcaico, o latifundiário e o violento, se fazem presentes numa sociedade capitalista (em parte), cuja base contratual é a relação entre iguais. Inculcada nas estruturas mentais, está a idéia do político protetor e provedor. A associação entre patrimônio e poder é forte e se superpõe a outros cruzamentos, inclusive religiosos. No caso do Feliciano, é o forte conservadorismo religioso, o elemento a indicar o ponto de ruptura entre as linguagens da modernidade social (racional-pragmática, tolerante, desencantada e liberal-democrática) e as linguagens apocalítico-místicas do pentecostalismo. Por isso, é muito interessante contrastrar a evolução recente do discurso de Feliciano (e seguidores) com as linguagens internas usadas em suas igrejas. Por um lado, reagindo a pressão dos "bestas-feras" (como aparecem os militantes de causas gays e étnicas no discurso demonizador de algumas lideranças pentecostais), Feliciano afirma ser representante legítimo de uma parcela da população (os evangélicos) e afirma ter participado legitimamente do processo democrático que escolheu a liderança da histórica Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados (CDH). De fato é verdade.
          Por outro lado, seu discurso religioso é carregado de uma linguagem estranha ao jogo da democracia. Em um culto religioso recente, o deputado-pastor diz que a CDH era um antro de "demônios", conquistado pelo poder de Jesus, para a Glória de Deus. Veio à tona, um vídeo, depois outro e mais outro, em que o deputado Pastor, está em pleno uso extático (e histriônico) de termos religiosos sob o delírio das massas. Haveria uma linha de continuidade histórico-ontológica entre o discurso misógino de São Cirilo contra Hipátia, o gozo condenatório de um Tertuliano, a prática cruel dos Juízes Inquisidores, o rigor assassino dos Puritanos no caso das Bruxas de Salém e as furibundas diatribes de Feliciano contra artistas, personagens e grupos no púlpito do evangelho de Cristo? 
          Alguns dirão, uma linha de continuidade superposta a uma descontinuidade. Sobre o púlpito, um evangelho a dizer que servir é o maior poder e amar livremente a maior força (a acolhida a Madalena e o abraço do pai amoroso no filho pródigo, são alguns exemplos). Sobreposto ao evangelho, um Antigo Testamento lido pelo ressentimento. E, para alguns, um manejo ocorreria também: para os de "dentro", leituras suaves (irmãos de fé, compram e fazem negócio entre si, namoram e casam entre si), para os de fora, leituras duras (estranhos ou adversários sob desconfiança profunda, mas, ao mesmo tempo, sob a mira do desejo de evangelização: "torne-se um dos nossos"). Nadando sobre aplausos, Feliciano capricha na retória, na emoção transmitida pela voz e solta: Ninguém desafia o Deus Todo-Poderoso e fica impune!
          Porém, a medida que adentra a representação pública parlamentar, afina os cabelos (quase pixaim, símbolo de negritude), trata de fazer as sobrancelhas e tomar outras atitudes vaidosas. Tudo isso, em uma pessoa cuja obssesão é criticar gays, soa freudianamente familiar. O "Deus-Amor", o "Deus-Compaixão" cede lugar ao "Deus-Vingador", ao "Deus Punidor". As palavra soam duras: Deus desviou o avião dos Mamonas Assassinas e o fez espatifar contra o solo, esfacelando os corpos dos cantores e dos tripulantes (estes não tinham nada a ver com a história, mas morreram mesmo assim) ou dos tiros em John Lennon, que ele queria ter dado em "nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo".
          Alguns analistas notaram como algumas igrejas evangélicas se "judaízaram", ou seja, voltaram sua visão de mundo para uma leitura (péssima) do Antigo Testamento, usando, inclusive, muitos símbolos da cultura hebraica (tocam até o shofar, uma pequena trombeta feita do chifre de carneiro, em seus cultos). Alguns diriam que esse movimento é movido pela lógica da diferenciação em relação ao catolicismo. Mas outros dirão: quanto mais essa lógica de diferenciação é acionada, mais similaridade se produz. E aí, o pensamento mágico, expulso pela porta, entra pela janela.
          Na lógica do Antigo Testamento, segundo essa leitura "torta" (há leituras teológicas muito mais inteligentes e sofisticadas), a ideia é bélico-viril: conquista, exército, guerra. Eliminar o adversário. O anjo que elimina Senaquerib, a ameaça assíria ao Reino de Judá, governado por Ezequias. Se não houver conversão, a espada angelical decepa a cabeça, a mão de Deus aperta o pescoço e o corpo, esmagando os ossos. Os anjos "tortos" (os justiceiros da história) descem sob as ordens de Deus e punem os homens. As transposições simbólicas são evidentes: a ameaça a "família" cristã tradicional" (os gays, as minorias) e ao rebanho fiel que agrada a Deus (outras religiões: falsas, mentirosas ou satânicas). Um rebanho destinado a vencer a guerra com os outros reinos (sejam eles outras igrejas, sejam eles "profanos" territórios da política e da sociedade em geral).
          O "reino fiel" são os evangélicos pentecostais que vivem num mundo estranho, idolátrico, entregue ao Diabo e a seus prazeres tinhosos. "O mundo jaz sob o maligno", expressão bíblica forte que repercute e ribomba no céu dos cristãos há muitos séculos, e de onde nasce a chuva dos messianismos e milenarismos, com sua imensa corte de profetas a clamar o fim do mundo e a justiça divina. Um parêntese: tal expressão encontra-se justo no evangelho mais "gnóstico e místico", o evangelho de João. Os outros reinos são pagãos e cheios de maldade, devem ser "guerreados" e conquistados pela "espada" da palavra divina. 
          A régua moral com que se mede o outro é a regra do grupo, transformada em regra universal e naturalizada como aquela que todos devem seguir, "por razões naturais". Imagine-se isso somado a uma situação social de pobreza, exclusão e violência, tanto do acesso ao mercado de consumo, quanto a educação e as boas oportunidades da vida. Os amargurados, ressentidos, invejos e raivosos, rapidamente se agrupam e juntam-se em torno de líderes. Esses movimentos podem embicar rumo a revoluções convervadoras ou anárquicas. Podem ser como os anabatistas na Grande Revolução Camponesa Alemã Pós-Reforma (Thomas Munzer) ou a Contra-Revolução Camponesa na Revolução Francesa.
          Porém, o conceito de revolução não ajuda a entender a movimentação de placas tectônicas socio-religiosas e suas repercussões história afora. Deixemos ele de lado, pois da forma como aparece em muitos discursos de esquerda (e na crítica de dirieta), começa a atrapalhar o entendimento de relações históricas e sociais. Muitas vezes esses sentimentos de frustração, perda, cansaço, raiva e dor (mas também a velha manha infantil mal resolvida) estão camuflados e aparecem como sentimentos de defesa da moral, da verdade e de Deus, ou como sentimentos de "nojo" diante de práticas que diferem estética e moralmente dos padrões grupais religiosos legitimados metafisicamente. De fato, as relações entre religião e modernidade, no âmbito da política e da cultura, são complexas, com muitas nuances.
           Assim, parece-me que as tensões irão se espalhar e disseminar-se ainda mais, pois estão em confronto visões de mundo e práticas sociais/religiosas entrecruzadas com estruturas e situações socio-educacionais e políticas em amplo processo de metamorfose. E aqui, falo sobre o filme de Glauber. Ele começa com a relação entre o vaqueiro Manuel e sua mulher Rosa. O vaqueiro reage contra a intensa exploração a que é submetido, matando seu patrão, Coronel Moraes, representante dos latifundiárioso. Torna-se um  criminoso comum e refugia-se no misticismo religioso, procurando um redentor. Ele o encontra na figura do beato Sebastião, "o deus negro do sertão", e torna-se um de seus jagunços. Esse "redentor negro" promete aos devotos a redenção final num dia que breve virá. Manuel entrega-se em êxtase às visões do beato, abandonando Rosa, sua esposa, que fica extremamente ressentida e desesperada. Sebastião "apostoliza" Manuel nesta grande "catequese": "o sertão vai virar mar e o mar vai virar sertão".
          Da liturgia do beato, os saques fazem parte. Nesse desvario, utiliza-se de um discurso recheado de palavras subversivas, interpretadas como "ponto de fuga" para a sede de esperança que assola o séquito do beato, impressionado com a rebelião contida em seu discurso (a remissão a Antônio Conselheiro e a Canudos é evidente). Mas o beato Sebastião e seus seguidores se tornam uma ameaça real ao poder dominante (político, militar e religioso) e são alvo da destruição. Surge Antônio das Mortes, matador de cangaceiros. A "mão torta" a serviço do latifundio católico no sertão brasileiro. Aqui, entra um grave problema social/psíquico: os ressentidos e amargurados podem fazer alianças com os vingadores (Antônio das Mortes e Rosa, a esposa abandonada). Porém, mais adiante, há uma estranha ligação entre o beato Sebastião, Rosa e Manuel: para a purificação de Rosa, Sebastião impele o casal a participar do sacrifício de uma criança. No entando, Rosa o apunhala. Antônio das Mortes, o "anjo torto", destrói o arraial sagrado do seguidores do beato, mas poupa Manuel e Rosa. 
          Nesse ínterim, ocorrre o encontro com o último cangaceiro do Sertão, Corisco, sobrevivente do bando de Lampião. Corisco batiza Manoel de "Satanás" e este passa a integrar o bando. Torna a participar de saques e  comete assassinatos. Mais uma vez Rosa se vê abandonada. Em extrema amargura, encontra consolo  com a mulher de Corisco (Dadá,) também massacrada. Manuel desafia seu novo chefe, mas Rosa entrega-se a Corisco num desafio ao marido. Enquanto isso, Antônio das Mortes, o "anjo exterminador", precisa destruir o "anjo louro do Mal" (Corisco). Com isso, a história caminha para a vitória absoluta do homem, sem demônios ou anjos. Antônio das Mortes, diante da paisagem desolada, prevê uma guerra maior, exclamando: "um dia vai ter guerra nesse sertão... uma guerra sem cegueira de Deus e do Diabo". Nessa guerra, o resultado pode ser mais secularização e desencantamento, e não menos. Ali e acolá o pastor Feliciano resvala e cai. Outro dia dia, inflamado, disse que viu crianças sendo arrancadas do útero de suas mães, estraçalhadas pelo aborto. Logo depois sua mãe o desmentiu. Depois de tantos protestos, mobilizações, redes sociais com centenas de fotos, campanhas de protesto, ciberativismo e ativismo tradicional, leio no Jornal Estado de São Paulo, uma entrevista do pastor Feliciano. Após a Convenção Geral das Assembleias de Deus do Brasil, realizada em Brasília (12/04/2013), o pastor é entrevistado pelo repórter Eduardo Bresciani. 
          Vou transcrever: "Ativistas contra sua escolha para a comissão gritam que o sr. não os representa. É verdade? Eles (ativistas) representam eles. Esse aqui (os evangélicos) é o povo que eu represento. É possível algum diálogo com os contrários à sua permanência na presidência da comissão? Ontem (quarta-feira) falei com um dos líderes do movimento LGBT, o Toni Reis. Eu falei: Toni, vamos conversar, vamos criar uma ponte, me coloquei à disposição deles. Ele falou que vai pensar em alguma coisa. Tomara que Deus o ilumine. A pauta do grupo de homossexuais será colocada em votação? A comissão é de direitos humanos e minorias. Colocamos a pauta na mesma hora e o colegiado decide."
          Comento as respostas na respectiva sequencia. Representação é um conceito basilar na democracia, mas vamos ponderar. É legítimo em termos de mecanismos processuais que os evangélicos votem e coloquem um representante no Legislativo. Mas presidir uma comissão que cuida de Direitos de Minorias, entre elas, os homossexuais é um disparate, justo pelo discurso agressivo e forte desse setor contra as minorias. Conversar com líderes e grupos sociais é fazer pontes, tarefa de políticos para a boa governança da sociedade. Invocar a luz de Deus é importar a linguagem da religião e colocar o diálogo político sob a tutela do divino (misterioso e imponderável). Por fim, imagine qual decisão sairia de um colegiado  em que só restaram conservadores que apoiam, com fidelidade, o pastor. Contudo, para alguns, fica um incômodo quando se olha o pastor Feliciano e seus seguidores, vendo-os como "novas hordas de bárbaros" a "descivilizar" a sociedade.  Um "Antônio Conselheiro" (ao inverso) a brandir o "tacape bíblico" contra as modernidades obscenas do "mundo degenerado" e que precisam ser corrigidas, exterminadas ou dominadas. Não há rejeição radical da modernidade por parte do pentecostalismo, mas apropriações seletivas, que variam em grau, direção e significado de acordo com os grupamentos religiosos (e a relação entre si, entre outros grupos religiosos, e com a sociedade em geral). As técnicas de marketing e comunicação modernas são absorvidas (ou sorvidas com sofreguidão) e mescladas ao imaginário mágico e messiânico.
          A participação no jogo parlamentar é aceita, disputa-se pelo voto e legitimamente, o espaço democrático das instituições  mas isso em nome de Deus a da missão que o mesmo confia aos escolhidos. Aí, duas ordens de linguagem entram em tensão: a linguagem religiosa, que  conhece o sentido ontológico-metafísico, pois funda o "ser" de um grupo (mesmo que a leitura das Sagradas Letras seja ruim) e a linguagem da democracia, que conhece o sentido metafórico/metonímico e não funda seu locus em um mandato divino ou sobrenatural, mas na racionalidade do argumento debatido e disputado, cujo estrutura não é a magia ou a mística. E nessa luta entre Deus e o Diabo, argumentos contra e a favor se multiplicam, pressões e contra-pressões são acionadas, jogos políticos acirram os ânimos, aumentando a rejeição a comportamentos agressivos, provocando divisões (e fusões), dentro e fora do "reino das almas de Deus" e de outros "reinos". Depois de um certo tempo de exposição continuada do tema, tende a aumentar a indiferença das pessoas.
          O resultado da guerra não será o risco de "teocracia evangélica" (exagero exaltado de alguns), mas possivelmente rearranjos de forças que podem aumentar velocidade da 'secularização', entendida como desencantamento nas relações sociais. Pela própria dinâmica do mundo cristão protestante (aí pesa a raiz da Reforma com alguns de seus princípios: livre-interpretação da Bíblia e sacerdócio universal de todos os cristãos) não há consenso cerrado e homogêneo em torno de lideranças pastorais-religiosas, mas pululam discordâncias, racionais e desencantadas (protestantes históricos) ou baseadas em "teorias conspiratórias". A imagem abaixo mostra como a combinação dessa herança da Reforma com o ambiente místico e mágico do campo religioso brasileiro redunda em processos sincréticos com efeitos políticos, para fora e dentro dos agrupamentos religiosos.

          Essa imagem foi retirada de um blog evangélico, datado de novembro de 2011. (http://origemcrista.blogspot.com.br/2011/11/marco-feliciano-e-macom.html). Marco Feliciano é alvejado com a mesma retórica persecutória, mágica e amalucada com que mira outros grupos. O triângulo dos Illuminati é usado por ele. Os illuminati seriam uma seita imaginária de poderosos dominadores do mundo (na narrativa-fantasia conspiratória).
          E isso é apenas o rabo de um  horizonte cheio de simbologias sob a qual jaz o ressentimento, as ilações, os desejos e as vontades de poder residem. Se o rabo é assim, imagine o corpo do Leviatã? É. A guerra vem para o Sertão. Tomemos em mãos as boas armas: a razão compreensiva e iluminadora, a crítica e a auto-crítica, lúcida e lúdica ao mesmo tempo e, por fim, as decisões corajosas, mas inteligentes.
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