Acordo nuclear, crucifixo comunista e apóstola do sol: geopolítica de existências plurais

Espanto-me com frequência. E uma das coisas que mais me espanta é a insistência de muitos no modo precário de narrar a realidade e a existência. Muitos gozam e jubilam-se com a estreiteza da imaginação e da sensibilidade; pensam que há apenas uma forma legítima de existir e de contar a realidade. Muitos permanecem convictos de uma só ideia, inabaláveis em sua certeza a qualquer custo, diante de argumentos e evidências que provam o contrário.
Não quero dizer que todas as formas imaginárias de ser e existir são iguais em valor, densidade e justificativa. Entre muitos religiosos e pensadores de direita, costuma-se fazer uma crítica rasa ao que chamam de "efeitos do relativismo": dizem que o mundo moderno, as novas filosofias (do Iluminismo em diante) e os movimentos sociais, como o feminismo e a luta dos LGBTTI (Gays, Lésbicas, Transexuais, Transgêneros e Indeterminados), colocaram todos os valores e perspectivas em pé de igualdade, a tudo igualaram, inclusive condições mórbidas da sexualidade, como a pedofilia uma patologia da sexualidade, que é confundida com o abuso e a violência sexual contra crianças. A "ideologia de gênero" foi o novo inimigo escolhido por grupos cristãos direitistas para ocupar o lugar do antigo inimigo "comunista" na sociedade contemporânea. 
Trata-se de uma crítica rasa, porque imaginam, de forma equivocada, que os pensadores pós-modernos e de esquerda metem as diferentes formas narrativas e existenciais em um saco só. Por isso, pespegam um rótulo: relativistas destruidores da verdadeira moralidade. Mas, não percebem que há critérios hermenêuticos a partir dos quais é possível dizer que as narrativas e perspectivas são ruins ou boas e, portanto, são diferentes entre si, não são iguais. Perspectivas, narrativas e existências não são iguais entre si, mas também não podem ser (bem) interpretadas pela ideia de essência fixa, imutável, ou seja, pela ideia de que a diferença não é passível de mudanças. Novas narrativas e novas imaginações simbólicas devem ser avaliadas por diversos ângulos históricos, filosóficos e sociais; devem ser sopesadas com a noção de ampliação do bem-viver para todas as pessoas, do viver dialogal, da abertura e da convivência democrática, em outras palavras, pela ideia de um mundo um melhor e generoso, em particular para com as minorias sociais (negros, mulheres, indígenas, LGBTT, os animais, os pobres). Isso supõe a não compactuação com o racismo, a exploração sexual, a corrupção, os abusos sexuais, os fascismos cotidianos e institucionais que tornam o mundo um pouco pior.
Nesse sentido, diante de outras perspectivas de narração, alguns líderes religiosos, políticos e intelectuais insistem em não refletir sobre as novas geopolíticas. Afundam-se, mais ainda, na estreiteza de suas representações existenciais; não se abrem ao diálogo porque não há desejo ou interesse em ouvir o outro; há apenas o desejo de ouvir a própria voz.
Há uma ansiedade incontida no fato de só se sentirem bem quando ouvem e vêem as mesmas notas e cores. Há o medo do mal-estar e do mal-entendido, da dúvida, das interrogações, caminhos capazes de levar a novas descobertas e a ampliação do conhecimento sobre si, sobre o outro, sobre o mundo. Contudo, a busca pela negação da existência real de outras formas de existir, é, desde sempre, uma empresa fadada ao fracasso, pois está condenada a morrer de fome – de inteligência –, e seu autor, ou empresário, é o maior algoz – algoz de si mesmo, pois procura morrer de inanição deliberadamente. 
Primeiro, porque a negação é a via apofática que afirma, pelo inverso, a existência do outro: só consigo negar o que tem sentido de realidade. Mesmo que os homens e mulheres monocromáticos da fé e do pensamento afirmem que as novas existências e narrativas são ilusórias e mentirosas, ainda assim a suposta "ilusão" é tão real que eles recorrem à forças para negar, questionar e censurar a existência das "outridades". Segundo, porque enxergam suas ideias sobre família, sexo, religião e casamento como as mais reais e as ideias dos outros são vistas como distorção da verdadeira realidade. Por outro lado, enxergam os que não comungam suas ideias como portadores de uma essência fixa na mentira e na ilusão, na medida em que enxergam a si mesmos como existências reais e fixas na verdade e na correção.
Exemplos não faltam. Noticiou-se neste ano de 2016, a conclusão de um dos mais importantes fatos do milênio, o acordo nuclear entre o Irã e o Grupo 5 + 1 (EUA, Reino Unido, Alemanha, França, Rússia e China). Já se sabe quem se posiciona contra o acordo, uma santa aliança: israelenses de direita (o atual governo israelense), republicanos ultraortodoxos, o Estado Islâmico e outros grupos terroristas, esquerdistas radicais antiamericanos, direitistas ultraconservadores, jornalistas desvairados e outros grupos. Até mesmo a Arábia Saudita, que financia ramos fundamentalistas e terroristas islâmicos sunitas, congratulou o acordo, embora discretamente. Desde o fim da Segunda Guerra Mundial, Arábia Saudita e EUA mantêm um acordo e intercâmbio. Todavia, o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei pronunciou-se e manteve a retórica antiamericana, sugerindo que o acordo ainda precisa passar pelo crivo religioso. Entre todas essas disputas, ainda há as tensões milenares entre duas grandes correntes muçulmanas: os xiitas e os sunitas. A Arábia Saudita é sunita e o Irã é xiita. Mas, Obama disse algo interessante, mais ou menos o seguinte: não queremos que o Irã mude e se torne uma democracia no estilo ocidental moderno, mas desejamos o diálogo e que assim tornemos o mundo melhor, menos inseguro.
O que esses grupos de pessoas críticas ao acordo nuclear possuem em comum? Uma profunda má vontade e antipatia por outros modos de contar a história, narrar fatos passados e futuros e, portanto, de reconhecer outros modos de existir. Não são grupos realistas, no sentido de enriquecerem-se com outras perspectivas existentes na vida real e com o diálogo entre os diferentes. Com efeito, esses grupos e pessoas perseguem uma miragem de mundo, uma perspectiva única que só existe em suas cabeças. Mas há paradoxo nisso tudo: esses grupos aferram-se a uma perspectiva, só que quando olham para a realidade veem outras existências em ebulição. Daí, esses homens e mulheres sentem raiva e desejam que o mundo real seja cópia e espelho da perspectiva que afagam em suas mentes. São mimados, no sentido de não conseguirem se defrontar com as diferenças e conversar sem medo dos confrontos, de enfrentar os seus fracassos de forma madura e inteligente. O medo funciona, nesses casos, como um desejo embutido e, por isso, anda de mãos dadas com a raiva doentia e a paranoia persecutória. Quando essas pessoas percebem que a realidade pode ser narrada de outra forma, quando veem outras perspectivas de vida à luz do dia, tendem a recusá-las e a dizer que são ilusões. Muitos comentaristas brasileiros sobre política e religião caminham sobre tal perspectiva empobrecedora: Reinaldo Azevedo, Olavo de Carvalho, Luiz Felipe Pondé e outros.
Imagem que percorreu as redes sociais em grupos conservadores
Dou um segundo exemplo, cruzando geopolítica e religião. A última viagem papal, quando o pontífice percorreu alguns países da América do Sul, foi muito interessante em termos de símbolos e possibilidades de interpretação. O discurso do papa Francisco em sua visita a Bolívia e ao Paraguai, colocou com precisão as mais importantes batalhas deste milênio: o cuidado com a casa comum (meio-ambiente), com os injustiçados e pobres e contra a cultura do descarte. Um discurso direcionado para dentro e para fora da Igreja. No entanto, houve católicos que criticaram, em especial quando o Papa foi presenteado com um crucifixo com a forma de um martelo e uma foice, símbolo do comunismo. Surgiram narrativas malucas, de "direita" e de "esquerda": a infiltração do demônio na igreja, a besta do apocalipse, o papa marxista. Esses crentes não leram bem a Bíblia e fazem questão de considerar apenas uma história, monocromática e equivocada, do Cristianismo. A cruz dada a Francisco pelo presidente da Bolívia, Evo Morales, é a réplica de uma cruz confeccionada por um sacerdote jesuíta engajado na luta pelos direitos sociais e assassinado na década de 1980 pelos militares bolivianos durante a ditadura.
Houve formas de interpretar os discursos e os gestos simbólicos na visita papal a América do Sul: as mágico-religiosas (o papa é a besta) e as políticas (o papa é comunista ou marxista, em tom condenatório ou celebrante). Todas essas interpretações são péssimas, pois recorrem a chavões e a lugares-comuns que banalizam tudo. Em sua coluna na revista Veja, Reinaldo Azevedo escreveu que o papa manchou as mãos com o sangue de 150 milhões de pessoas mortas pelo comunismo. Esses “mártires” teriam sido ultrajados com o discurso e os gestos papais; Olavo de Carvalho, um autodidata e, portanto, com formação inadequada, colocou em um Twitter que era hora de os príncipes das casas reais católicas reagirem, intervirem e restabelecerem o papado na direção adequada. Essas frases ditas por esses personagens são tolas, vazias, sem sentido; são formas de narrar e imaginar que ampliam a capacidade dialogal. Por isso, é importante dizer que Luís Espinal, o sacerdote criador do crucifixo "comuna", era adepto da teologia da libertação e contra qualquer forma de violência e destruição.Na cabeça das pessoas que oferecem essas narrativas doidas, só há uma existência possível do Cristianismo fora da qual não há salvação, apenas perdição. 
Mas, sinto-me atraído analiticamente por fenômenos que bagunçam esquemas consolidados e hegemônicos de entendimento do que deve ser a existência e de como se deveria narrar e descrever a realidade. Esses fenômenos mostram as indisposições e a má vontade de muita gente, mas abrem a possibilidade de outras formas de entender, descrever e existir muito mais generosas e inteligentes.
Dou mais dois exemplos das indisposições ao diálogo que remetem às injustiças e (im)possibilidades de produção da igualdade. Um jovem pobre, com pouca escolaridade, negro, pai, sem passagem pela polícia, acusado de tentar um assalto, foi amarrado ao poste e linchado até a morte no Maranhão. Há alguns anos, um jovem branco, rico, com boa escolaridade, ateou fogo ao corpo de um índio em Brasília; hoje é concursado e foi promovido. Este jovem branco, de classe média alta, mereceu outra forma de ser entendido e de existir. Transformou-se, porque a ele foi concedida uma nova narrativa existencial. O maranhense não tinha “culpa”, mas como era um jovem negro, morador de periferia e pobre, ou seja, suspeito a priori, não merecia, na cabeça dos linchadores e apresentadores de programa policial, outra forma de existir e outra forma de ser compreendido. O que intriga é que muitos dos linchadores eram também jovens, negros e pobres.
Pierre Bourdieu, sociólogo francês, falaria em internalização social da violência simbólica, ou seja, essas pessoas, com igual condição social a do linchado, ficam presas a uma narrativa empobrecedora da realidade porque a incorporam como única forma possível de existência. Imersos na pobreza, nas relações sociais de violência e no esquecimento do poder público (educação, justiça, segurança), absorvem discursos midiáticos de violência e as narrativas empobrecedoras do real propagadas nas redes sociais e nos programas de TV, projetando sua raiva sobre um bode expiatório. René Girard fala do processo de mimese da violência, em que o desejo mimético é a fonte da violência; esta, desencadeada, suscita o anseio pelo reequilíbrio diante de uma espiral crescente: o bode expiatório, ou seja, a vítima sobre a qual se projeta a sede de sangue, cujo efeito é cessar, ainda que provisoriamente, o crescimento espiral da violência mimética.
Nesse caso, quando homens e mulheres descarregaram murros no jovem negro, estavam, na verdade, esmurrando a si mesmos. O vídeo com o linchamento do jovem maranhense ganhou as redes sociais e homens e mulheres de outras classes sociais, brancos e de classe média, apoiaram a barbárie nefanda. Era como se de um lado a outro do espectro social-étnico, negros e pobres, ricos e brancos, a narrativa empobrecedora do real ganhasse crédito aos olhos de muitos, tornando-se justificativa para a ação bárbara. Não ocorreu à turba ignara que outras narrativas eram possíveis. O problema é o encontro da violência mimética, inscrita na natureza social humana, e as narrativas empobrecidas da realidade, algumas vezes vocalizadas por líderes religiosos, jornalistas e políticos. Esse encontro galvaniza a multidão dos fracassados de todos os tipos (na profissão, na sexualidade, no amor, na beleza, na vida afetiva e familiar) e os projeta como um grupo de homens e mulheres ressentidos. Quem se opõe à marcha desses grupos, oferecendo outras narrativas e formas de existir, corre grandes riscos de ser criticado, atacado e violentado.
As pessoas favoráveis à diminuição da maioridade penal são indigentes, presos a uma forma empobrecida de compreensão da complexa realidade social e gastam suas fichas em uma narrativa fixa e pobre, herdeira dos tempos da Casa Grande e da Senzala, do chicote, dos castigos terríveis físicos e injustos. E pior, essas pessoas fazem uma aposta sem sentido: gastar dinheiro e energia em um sistema carcerário e punitivo falido, um sistema que produz mais criminalidade, e isso pelo simples desejo de vingança. Isso não é racional, inteligente e não oferece outras perspectivas mais interessantes para a vida social.
Um liberal clássico não possui essa imaginação ruim. A imaginação e a narrativa liberal foram inauguradas por Adam Smith, economista e filosofo escocês do século XVII. Mas isso não é bem o que nossa elite política e alguns jornalistas dizem possuir e propagar. O deputado Jair Bolsonaro e a apresentadora Rachel Sheherazade, são dois de muitos outros exemplos. Essas pessoas dizem: o Brasil é assim e é assim que deve ser. Os que se colocam contrários à geopolítica de existências plurais estão aferrados às suas próprias ideias de realidade e a uma existência única, enraizadas em uma imagem ansiosa, uma imagem que é frágil na medida em que existe como se fosse movida pelo desejo profundo, e às vezes mórbido, de fazer valer um mapa geopolítico antigo, ultrapassado – afinal, as existências atuais se pluralizam em termos de gênero e sexualidade, religião e cultura. Há, porém, os que defendem as novas geopolíticas existenciais porque acreditam que a pobreza de algumas ideias é castradora, cruel e desnecessária.
Por fim, dou mais um exemplo de como as geopolíticas das existências plurais são imprevisíveis em suas infinitas combinações: o caso de uma dessas pequenas igrejas que surgem aos borbotões no Brasil, liderada por mulheres. O nome da líder religiosa é “Apóstola Daniela Carvalho”, Apóstola do Sol, cuja presença nas redes sociais, no Facebook em especial, provoca muito rebuliço entre católicos e evangélicos. O gesto de autodenominação como apóstola indica uma leitura de gênero, porque se sabe que os apóstolos eram homens e a mulheres mais próximas de Jesus Cristo (como Maria Madalena), e elas não foram celebradas pela tradição com essa importante categoria. A sede da igreja, a Reino dos Céus, está na capital paulista, com filiais (Belo Horizonte, Juiz de Fora e outros). A jovem se veste com indumentárias sacerdotais (capa, estola e outros), atribui a si mesma e às mulheres passagens bíblicas, como a do Livro do Apocalipse (a mulher vestida de sol que luta contra um dragão), usa símbolos judaicos (estrela de seis pontas), cristãos e não-cristãos (cálice, cruz, espada) e discursa em favor da inclusão de homens e mulheres homossexuais. Transcrevo um trecho:

[...] nao vou para o inferno.... porque se eu for eu acabo com ele e o faço virar um céu.... sou mais violenta que o principe das trevas porque ele nao tem o poder que eu tenho. o diabo ataca os crentes, mas foge de mim. no meu dicionario não existe a palavra medo. nasci no meio do fogo com a espada na mão e a paz me incomoda. nao aceito ver o povo dessas igrejas fracas cantando como os anjos e pregando como os apóstolos, mas em casa vivem o inferno. sou aquela que joao viu na ilha de patmos e escreveu no apocalipse 12. sou vestida de sol e tenho a coroa de 12 estrelas na minha cabeça - coroa do apostolado - e a lua debaixo dos meus pés. lua nao tem luz. a lua representa as igrejas fracas sem revelação cheias de pessoas doentes e fracassadas pela macumba. muitos pastores e padres sinceros me apoiam e os pastores fracotes me odeiam. mas é pura inveja. queriam ser como eu sou, mas não tem coragem. enfrento o que tiver que enfrentar e venço. inimigo meu nao é o homem. é o "bicho". o "bicho" eu trato na ponta da espada. na magia negra está proibido falar meu nome. sabe por que? porque os demonios do inferno estremessem. eu tenho mais poder que qualquer um deles. levantou? levantou pra cair. tem gente contra mim... mas vão me procurar para receber a liberação do perdão e a cura da alma. eu só estou começando. vim causar polemica e provar que o amor de deus esta acima de sexo e preconceito. chamo todos os homossexuais para a obra sim. e sou contra quem persegue os gays e os descrimina nas igrejas. lugar de gay é na casa de deus. eles assim como eu, e todos nós precisamos do sangue do cordeiro para nossa salvação. jesus disse: “o que é carne....é carne. o que é espirito. ...é espírito”. deus nao entra nessas questões pessoais a não ser pelo espirito. o homem discrimina. persegue e odeia. deus ama.... perdoa... e salva. (Disponível em: https://www.facebook.com/apostoladanielacarvalho?fref=pb&hc_location=profile_browser. Data da última visualização: 21 de julho de 2015.).
O discurso mistura muita coisa: sintomas de grandeza e narcisismo com traços de gnose cristã. O senso-comum está solto, campeia e multiplica-se furiosamente. A popularização da internet e dos meios de acesso, possibilitou grande visibilidade do senso-comum, que é, ao fim das contas, uma mistura frenética, não-reflexiva, acrítica e espontânea ideias, sem qualquer lógica mais racional e causal. 
Por isso, faço uma pergunta: é possível, válido e útil compreender essa mistura sem pensá-la como exótica, mas também sem exaltá-la, ou ainda, é possível entender o senso-comum por outras vias compreensivas que não reproduzam os mesmos trejeitos do senso-comum? Há alguma maneira de abordá-la no horizonte de uma hermenêutica das ciências da religião?
No discurso da apóstola, os signos e símbolos flutuam à deriva, mas, na mistura frenética, percebe-se emergir da prática religiosa outra forma de ver as diferenças de gênero e sexualidade. É possível dizer que essas igrejas e lideranças dão visibilidade e publicidade às novas formas narrativas e existenciais. Rompem com algumas narrativas sobre o que é e o que deveria ser um católico, um evangélico histórico, um evangélico pentecostal e um neopentecostal. 
As formas narrativas tradicionais são curto-circuitadas, provocando uma onda enfurecida de acusações, as mais disparatadas, com furiosas misturas de senso-comum. O que isso tudo indica? Muitas coisas, mas uma delas remete ao surgimento de igrejas, cultos e teologias cristãs que absorvem e incorporam os novos modos de afeto, no caso, os homossexuais, dando crédito a novas semânticas e geopolíticas da existência. Mesmo que outras igrejas e lideranças cristãs critiquem e não concedam o título de cristãs às congregações e lideranças "inclusivas", uma nova geopolítica de existências plurais desponta no horizonte. A realidade é mais teimosa, plural e intensa que a pobreza de muitas narrativas únicas e, junto dela, o senso-comum é uma poderosa esfinge, um enigma que se espraia por todos os lados. 

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